O universo de complianceSubstantivo advindo do verbo to comply (agir de acordo, cumprir, obedecer). Estado de estar de acordo com as diretrizes ou especificações estabelecidas pela lei ou regras, políticas e procedimentos de... está longe de permanecer estático. Regulamentações mais densas, avanços tecnológicos acelerados e expectativas elevadas por parte de stakeholdersPessoas ou grupos de pessoas com algum grau de envolvimento ou interesse em uma organização ou entidade, tais como empregados, clientes, fornecedores ou cidadãos que podem ser afetados por determinada... convergem para transformar o papel das áreas de compliance de um simples “filtro de riscoQuantificação e qualificação da incerteza, tanto no que diz respeito a perdas quanto aos ganhos, com relação aos acontecimentos planejados. É um desvio em relação ao esperado. É uma incerteza...” para um motor estratégico de governança. A seguir, destacamos quatro grandes tendências que merecem atenção e que podem definir a agenda de programas de compliance robustos no próximo ciclo.
- Inteligência Artificial como Núcleo da Governança e dos Controles
A adoção de IA nos programas de governança, risco e compliance (GRC) já avançou, mas em 2026 veremos uma nova etapa: da IA assistente para a IA atuante. Ou seja, sistemas capazes não apenas de gerar relatórios ou apoiar decisões, mas de iniciar workflows, monitorar controles em tempo real e recomendar ou até executar correções sob supervisão humana.
Por exemplo, imagine um sistema que detecta automaticamente uma violação de política, gera um relatório, aciona responsáveis e acompanha a correção – tudo com registro de auditoriaÉ um processo de verificação e análise de atividades desenvolvidas por uma determinada empresa. O seu objetivo principal é examinar se elas estão de acordo com o que foi planejado.... Esse tipo de automação impulsiona a assurance contínua, reduz lacunas e acelera a reação a riscos emergentes.
Mas atenção: isso demanda nova governança para a própria IA, ou seja, modelos, algoritmos, automações precisam ser auditáveis, explicáveis, com trilha clara de responsabilidade. Esse é um dos desafios centrais.
- Regulação em Expansão e Novos Domínios de Compliance
Em 2026, as áreas de compliance precisarão lidar com máquinas, cadeias de suprimento, sustentabilidade e terceiros. A regulação global acelera, passando por normas emergentes de IA até os requisitos de ESGESG é uma sigla em inglês para “environmental, social and governance” (ambiental, social e governança, em português). Geralmente, ela é usada para se referir às práticas ambientais, sociais e de... e cadeia produtiva.
Um exemplo concreto: será exigido que as empresas provem como implementam políticas de IA (explicabilidade), como gerenciam a resiliência operacional e como seus fornecedores atendem padrões de ESG.
Assim, compliance deixa de lado o foco exclusivo em “o que está feito” e passa a responder “como isso foi feito, quem é responsável, quais as evidências”. A rastreabilidade regulatória ganha centralidade.
- Integração, Automação e Visão Holística de GRC
Uma das queixas recorrentes na governança corporativaÉ o sistema pelo qual as empresas e demais organizações são dirigidas, monitoradas e incentivadas, envolvendo os relacionamentos entre sócios, conselho de administração, diretoria, órgãos de fiscalização e controle e... é a fragmentação entre compliance, auditoria, risco, TI / segurança da informação. Isso não funciona mais. Para 2026, a tendência é clara: GRC integrado, com automação, dashboards em tempo real e visão unificada de riscos.
Essa visão exige que os programas de compliance não estejam isolados, mas alinhados à estratégia, operação, tecnologia e cultura. Controles internosé um processo desenvolvido para proporcionar segurança razoável às operações, divulgação e conformidade. As atividades de controle são ações estabelecidas por meio de políticas e procedimentos que ajudam a garantir..., risco de fornecedores, continuidade de negócio, segurança cibernéticaé um conjunto de práticas que protege informação armazenada nos computadores e aparelhos de computação e transmitida através das redes de comunicação, incluindo a Internet e telefones celulares.... – todos devem estar conectados e apoiados por tecnologia que permita monitoramento constante, simulações de risco e resposta rápida.
Para você, que atua com programas de compliance, esse é o momento de revisar os fluxos, eliminar silos, reforçar o direcionamento de que compliance é parte da execução organizacional e não apenas da verificação ao final.
- Cultura, ÉticaConjunto de ações normativas que guia o comportamento de uma organização ou de um indivíduo, estabelecendo boas relações sociais. A ética é o estudo da moral. e Foco Humano no Centro
Apesar de todo o foco em tecnologia e automação, a tendência mais relevante talvez seja o reconhecimento de que a cultura e o comportamento humano continuarão sendo o núcleo da conformidade. Em 2026, as organizações que melhor atuarem serão as que integrarem tecnologia e ética, controle e propósito.
Sistemas de IA poderão mapear comportamentos, detectar anomalias em climas internos, apontar risco cultural, mas cabe à liderança transformar esses insights em ações. A “cultura de integridadeConjunto de escolhas que estejam em sintonia com as crenças pessoais e os valores da empresa, prezando pela ética nas tomadas de decisões.” deixa de ser apenas tema de treinamento e passa a ser monitorada, medida e vinculada ao desempenho.
Além disso, a transparênciaÉ o que se pode ver através, que é evidente ou que se deixa transparecer. É a virtude que impede a ocultação de alguma vantagem pessoal. para stakeholders externos (de investidores a reguladores) impõe que compliance seja visto não só como barreira, mas como valor gerador de confiança. Essa mudança de mentalidade é uma das grandes alavancas desta nova era.
Conclusão: Como se Preparar Hoje
Para você não ser pego de surpresa, recomendamos os seguintes passos práticos:
- Avalie sua arquitetura de GRC: há silos? sistemas desconectados? decida agora integrar e automar.
- Mapeie os riscos emergentes: IA, cadeia de fornecedores, requisitos de ESG e resiliência operacional devem estar no radar de compliance.
- Desenvolva governança para tecnologia: se IA vai atuar, defina quem responde por ela, como auditá-la, como garantir seus resultados éticos.
- Reforce a cultura de integridade: mensure clima, engaje lideranças, vincule ética à performance e torne a conformidade parte da operação, não só da verificação.
- Conecte compliance à estratégia organizacional: compliance não é custo, é diferencial. Posicione-o como gerador de valor e confiança.
Em resumo: compliance deixará de ser apenas obrigação regulatória para se fortalecer como um dos pilares da competitividade organizacional.
