A agenda ESG avançou consideravelmente nos últimos anos, com a implantação de boas práticas em empresas e bons resultados a curto prazo, como redução da emissão de poluentes, políticas de crédito de carbono e diversidade em equipes corporativas.

Mas avanços de um segmento ou de outro nos escopos ambiental, social e de governança não podem nos fazer perder de vista o objetivo final: o desenvolvimento sustentável em todos seus aspectos.

Ponto de partida necessário para traçar estratégias eficazes é o pensamento amplo sobre o que significa ESG. O desafio de um modelo descarbonizado de economia, por exemplo, implica também um redesenho do modelo atual de trabalho e de quem o ocupa.

Tão importante quanto preservar o planeta é preservar as pessoas. Para isso, educação é elemento chave. É por meio dela que podemos impulsionar pessoas, economia e um novo modelo de mercado.

Nosso país dá sinais de capacidade de liderar a discussão mundial sobre bioeconomia nos próximos anos ao ficar acima da média global em ações sustentáveis, como mostra a primeira edição do relatório “Futuro do Crescimento”, divulgado pelo Fórum Econômico Mundial em parceria com a Fundação Dom Cabral.

Nos destacamos positivamente em recursos hídricos, produção agrícola e infraestrutura de telecomunicações, mas alguns aspectos são insuficientes para gerar crescimento robusto —e eles vêm justamente da letra “S” do ESG.

O relatório identifica barreiras de inclusão no Brasil e destaca a necessidade de maior distribuição de riqueza, renda e acesso a serviços financeiros. O país ficou abaixo da média global de crescimento em três dos quatro indicadores medidos no relatório: 55,3 em inclusão (contra 55,9 da média mundial), 51,98 em resiliência (contra 52,8) e 41,8 em inovação (contra 45,2).

Investimento em educação é apontado como crucial para combater esses baixos índices. É preciso pensarmos no acesso a todos tipos de educação, da básica à executiva.

Garantir que grupos minorizados tenham acesso às salas de aulas e a educação de qualidade é, no fim, uma entrega de valor para toda a sociedade, ajudando a torná-la mais ética e inclusiva.

É preciso que empresas, organizações da sociedade civil e todas as lideranças percebam cada vez mais que ESG não é cuidar de um tema ou de outro.

ESG é articulação entre sustentabilidade ambiental e social apoiada por governança que garanta sua efetividade e perenidade em uma contribuição coletiva e colaborativa, com objetivo de inclusão social e de uma sociedade mais igualitária.

 

Publicada originalmente na Folha

Publicado na CompliancePME em 28 de março de 2024