De acordo com dados disponibilizados pelo “Mapa das Empresas”, relatório divulgado pelo Ministério da Economia em fevereiro, o Brasil registrou recorde na abertura de novas empresas em 2020. O estudo indicou que mais de 3,3 milhões de corporações foram fundadas neste período, representando um aumento de 6% quando comparado ao ano de 2019. A marca histórica chama a atenção por ter sido alcançada justamente no ano em que a pandemia de Covid-19 passou a assolar o planeta.

É diante de um mercado aquecido e globalizado que empreendedores questionam: “o que é essencial para caminhar de forma tranquila e sustentável?”. Para Roger Madeira, CEO da Learmachs, escritório internacional de contabilidade, um dos aspectos que deve estar no radar de toda empresa é a implementação de todo um conjunto de sistemas, práticas e princípios de governança corporativa.

Governança corporativa: qual é seu papel?

De modo geral, pode-se dizer que a governança corporativa define como uma empresa é dirigida, controlada e administrada, tendo grande relevância por estar relacionada à longevidade e à eficiência da companhia. “Isso acontece porque a governança corporativa também pode determinar como uma empresa atravessará crises financeiras, cenários de instabilidade política e econômica, fusões e aquisições e até mesmo a necessidade de captar investimentos ou passar por mudanças societárias”, explica.

Mas não é só isso: a governança corporativa também tem papel fundamental para aqueles que desejam expandir os negócios para o exterior. “O conjunto de princípios, processos e sistemas da governança corporativa possuem modelagem internacional. Isso significa que, se uma empresa quer, por exemplo, receber investimento, precisa desses princípios instalados previamente na companhia, para que atraia investidores e capital”, reforça.

Por fim, o especialista diz que o ponto não é de atenção apenas para grandes empresas: pequenos e médios negócios também têm a ganhar com a governança corporativa.

“Dados recentes do IBGE e da Receita Federal nos dizem que o cenário empresarial brasileiro é formado, em sua ampla maioria, por sociedades, ou empresas com 2 ou mais sócios. Esses dados também nos dizem que a maioria dessas empresas não dura 5 anos. E dentre os culpados, temos a ausência de sistemas de governança corporativa”, acentua.

Por isso, segundo o especialista, é fundamental escolher muito bem o tipo jurídico de empresa que será constituída, o regime tributário que essa empresa vai utilizar, e construir adequadamente o contrato ou estatuto social da empresa em formação. Dessa maneira, os princípios de governança corporativa mais importantes estarão sempre presentes, e os escritórios poderão servir como consultorias contábeis e financeiros a todo instante, conduzindo empresas e sociedades ao caminho certo.

 

Originalmente publicado no portal Terra

Publicado na CompliancePME em 16 de agosto de 2021