O Rating Integra, principal ferramenta para medir o grau de governança, integridade e transparência das entidades esportivas brasileiras (confederações, federações e clubes), lançou os resultados do seu segundo ciclo, relativo a 2020. Para as empresas interessadas em investir no esporte, a iniciativa fornece um parâmetro importante para patrocínios e outras ações.

Onze entidades atenderam aos critérios exigidos, serão reconhecidas e autorizaram a divulgação das suas avaliações. São elas: Associação Nacional de Desportos para Deficientes (ANDE); Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt); Confederação Brasileira de Canoagem (CBCa); Confederação Brasileira de Desportos na Neve (CBDN); Confederação Brasileira de Golfe (CBGolfe); Confederação Brasileira de Hipismo (CBH); Confederação Brasileira de Judô (CBJ); Confederação Brasileira de Rugby (CBRu); Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (CBTM); Confederação Brasileira de Triathlon (CBTri); e Confederação Brasileira de Voleibol (CBV).

– Essas organizações comprovaram a implementação de princípios recomendáveis no campo da gestão e das relações institucionais. O reconhecimento é importante para que o aprimoramento continue e a integridade e a transparência do segmento sejam cada vez mais comuns – afirma João Paulo Diniz, membro do Conselho Gestor do Pacto pelo Esporte, um acordo empresarial que criou o Rating Integra em conjunto com a ONG Atletas pelo Brasil, o Instituto Ethos, o Comitê Olímpico do Brasil (COB) e o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB).

Em comparação com o primeiro ciclo, que teve resultados anunciados no final de 2019, o segundo ciclo do Rating Integra mostra avanços significativos. Na edição inaugural houve a inscrição de 26 entidades esportivas, com 16 concluindo o processo de avaliação. Desta vez, 44 entidades se inscreveram, sendo que 24 delas completaram todo o percurso.

Os desempenhos das gestões, indicados por notas de 0 a 10, melhoraram. Na edição inaugural, o melhor resultado foi 8,7. O menor, 2,4, com uma média geral de 4,65. Desta vez, a maior nota obtida foi 9,17. A menor, 4,2, enquanto a média foi de 6,83.

– É gratificante constatar os saltos em participação e performance, bem como a assimilação crescente, pelas entidades, de que o Rating Integra não é um ranking. O objetivo é contribuir para a melhora do cenário esportivo no Brasil – comentou Daniela Castro, também do Conselho Gestor do Pacto pelo Esporte.

Entidades esportivas se destacam em governança, integridade e transparência

O segundo ciclo contou com maior adesão de entidades de pequeno porte – 58%, ante 29% de médias e 13% de grandes. As participantes estão predominantemente localizadas na região Sudeste (70,8%); em seguida, no Sul (16,7%) e no Centro-Oeste (12,5%).

Entre os quesitos com melhor desempenho, “Transparência nas regras de competição”, “Representação de atletas” e “Prestação de contas para o governo” foram os destaques. Os principais aspectos a melhorar, por sua vez, são a “Gestão de fornecedores”, as “Políticas, normas e controles internos” e o “Sistema de integridade (Compliance)”.

– Analisando os resultados dos dois ciclos do Rating Integra, percebemos que a gestão de fornecedores e os mecanismos de integridade (compliance) permanecem como principais desafios para as organizações esportivas brasileiras. Esses indicadores registraram notas melhores na avaliação mais recente, o que é animador – apontou Caio Magri, diretor-presidente do Instituto Ethos.

Um benefício para as entidades que participaram do segundo ciclo do Rating Integra será a inclusão numa plataforma digital que as aproximará de empresas patrocinadoras. A novidade, a ser lançada ainda este ano, foi desenvolvida pela startup Armatore Market + Science, especializada na aplicação de soluções em ciência de dados no mercado esportivo, no âmbito do centro de inovação Arena Hub.

– Os projetos esportivos terão mais visibilidade e o relacionamento ficará mais dinâmico, estimulando mais parcerias. As entidades e as marcas vão se fortalecer – destaca Daniela Castro.

Vale lembrar que as empresas signatárias do Pacto pelo Esporte (são 35, atualmente) se comprometeram a utilizar o Rating Integra para definir seus investimentos no esporte.

– O Rating Integra é fruto de uma grande união em prol de um ambiente de negócios melhor, favorecendo os atletas, as entidades, os parceiros comerciais e a sociedade como um todo – ressalta Kévin Chevalier, diretor executivo da Atletas pelo Brasil e do Pacto pelo Esporte.

A data de abertura do terceiro ciclo do Rating Integra será definida em breve pelo Comitê Gestor, e as entidades esportivas poderão confirmar participação através do site www.ratingintegra.org.br. Para que a ferramenta se fortaleça ainda mais, o Comitê Gestor do Rating desenvolveu uma matriz específica para a participação dos clubes de futebol.

– Essa é uma área bastante atraente para as marcas, pela base enorme de fãs e pela grande visibilidade, e que também pode ampliar parcerias comerciais mediante um compromisso formal com a melhoria na gestão – pondera Daniela Castro.

O Rating Integra é um sistema de adesão voluntária, estruturado em duas etapas. Na primeira, confederações, federações ou clubes acessam uma plataforma online e realizam um autodiagnóstico gratuito de governança, integridade e transparência. Após essa autoavaliação, a entidade pode solicitar uma verificação externa, independente, para obter uma nota. A verificação é cobrada, mas os valores são acessíveis.

As notas, de 0 a 10, dão às empresas interessadas em investir no esporte um retrato do comprometimento das entidades com boas práticas de gestão, proporcionando mais segurança aos investimentos. As entidades, por sua vez, recebem informações sobre o que é possível melhorar. As entidades podem informar suas classificações para empresas patrocinadoras, mas decidem se querem ou não torná-las públicas. O Rating Integra tem governança própria formada por membros representantes das organizações fundadoras, além de dois membros independentes – Alessandra Gonsales e Gisélia Silva.

 

Esta notícia foi originalmente publicada no Globoesporte.com

Publicado na CompliancePME em 6 de maio de 2021