Publicado na CompliancePME em 31 de janeiro de 2024

Sabe aquela promessa de emagrecer ou iniciar a prática de exercícios físicos que você sempre faz a si mesmo todos os anos e nunca cumpre? Algumas empresas estão nesse mesmo patamar em relação à agenda ESG. Essas decisões, sempre adiadas, são reconhecidamente importantes, mas acabam não sendo priorizadas pelos mais diversos motivos.

Neste início do ano, faço uma última chamada para você parar de adiar a jornada ESG e colocar o tema como prioridade da agenda de 2024! O risco? Deixar de ser competitivo e de existir.

ESG é uma jornada e ela não acontece do dia para a noite. É uma decisão estratégica que demanda uma mudança cultural nas organizações, a adoção de novas práticas em relação às questões ambientais e sociais e a construção de uma governança sólida, que atue em toda a cadeia de valor da companhia.

É um processo que deve ser tratado de forma integrada e holística pela organização. É uma jornada de melhoria contínua, portanto, demanda investimento de tempo e esforço nessa direção, um processo de médio e longo prazos.

Mas por que essa urgência na agenda para 2024? Em primeiro lugar, porque passou do tempo de fazer a coisa certa. Estamos todos vivendo na pele os efeitos da crise climática, com chuvas torrenciais fora de época no sul do país, seca na Amazônia, ciclone em São Paulo, frio e calor extremo em todo o globo.

As ações irresponsáveis em relação ao meio ambiente estão cobrando o preço agora. A sociedade, os investidores, os consumidores, todos estão de olho nas marcas e no quanto elas estão comprometidas com as boas práticas ESG.

O segundo fator é a regulamentação. Se você não iniciar o movimento por conta própria e arriscar se manter desta forma indo na contramão da maré, em breve terá de fazê-lo por força da lei. Empresas internacionais já exigem uma série de critérios para exportadores em todo o mundo. E, mesmo que você só atue em nível nacional, prepare-se, pois a legislação vai apertar.

O Brasil vai sediar a COP-30 em Belém em 2025 e um dos principais temas da agenda é a regulamentação do mercado de carbono. Investimentos em energias de fontes não-fósseis, como o hidrogênio verde e programas de combate ao desmatamento na Amazônia são outros temas prioritários, além da Agenda 30 firmada no Pacto Global da ONU, que definiu 17 objetivos (os ODS, Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) e 169 metas globais interconectadas a serem atingidas até o fim da década.

Esse é um movimento global irreversível. O quanto antes sua organização se alinhar com essa agenda, mais pronta ela estará para esse novo momento regulador do mercado.

As empresas estão em diferentes estágios de maturidade na implementação das práticas ESG: algumas muito avançadas, trabalhando em um ecossistema regenerativo, outras dando os primeiros passos. O principal é colocar a primeira marcha e iniciar a jornada!

Quem ficar de fora não terá mais estrada para rodar.

 

Por Dilma Campos, publicada originalmente no site Fast Company Brasil