O recente escândalo envolvendo a rede de influenciadores ligada à marca WePink, da empresária Virgínia Fonseca, trouxe à tona um debate crucial para o mundo dos negócios: o impacto da falta de processos robustos de due diligence. O caso, apurado inicialmente pela Agência Pública e que envolve investigações de lavagem de dinheiro e conexões com o crime organizado, serve como um alerta severo para empresas que negligenciam o pilar de KYP (Know Your Partner).
 
Para Simone Vollbrecht, Head de Compliance da VAAS, startup especializada em gestão de risco inteligente, o imbróglio da WePink não é apenas um problema de imagem, mas uma falha estrutural de governança. “O conceito de Know Your Partner (Conheça seu Parceiro) é um dos mais negligenciados no Brasil. No caso da WePink, um processo básico de due diligence teria revelado, anos atrás, sinais de alerta vermelhos em torno de figuras centrais na estrutura societária”, explica Simone.
 
Sócios ocultos e endereços compartilhados são elos de risco
 
A análise técnica do caso aponta para a figura de Karen de Moura Tanaka-Mori, que atuou como sócia em empresas ligadas à fundadora da marca, Samara Pink. Karen, presa em 2024 sob acusação de lavagem de dinheiro para organizações criminosas, possuía um perfil clássico de risco: baixa exposição no marketing da empresa, mas presença estratégica no papel.
 
“Em compliance, a ausência de um papel claro de um sócio no dia a dia do negócio é um red flag. Quando cruzamos dados, vemos que holdings ligadas a essas figuras compartilhavam endereços físicos com a estrutura da própria Virgínia Fonseca. Isso cria uma ‘contaminação’ de risco que a análise automatizada de dados detectaria em segundos”, afirma a especialista da VAAS.
 
A responsabilidade jurídica e o fim da “boa-fé”
 
Um dos pontos mais sensíveis destacados por Vollbrecht é a responsabilidade legal dos sócios. Segundo a legislação brasileira de lavagem de dinheiro, a omissão pode ser interpretada como cegueira deliberada.
 
“Muitos empresários acreditam que alegar desconhecimento sobre o passado de um sócio ou parceiro é uma defesa válida. Não é. A lei responsabiliza quem deveria ter impedido o crime e não o fez por negligência. Sem uma due diligence documentada, a empresa perde a proteção da boa-fé. E em casos mais extremos, os sócios podem responder com o próprio patrimônio porque nesses casos é difícil ter essa consideração da personalidade jurídica”, alerta Simone.
 
Tecnologia como escudo reputacional
 
Para a Head de Compliance da VAAS, o caso WePink é uma lição sobre a velocidade do risco na era digital. Enquanto marcas de influenciadores escalam faturamentos bilionários em meses, a checagem de antecedentes ainda é vista como burocracia, quando deveria ser o alicerce do crescimento.
 
“Não se trata de travar o negócio, mas de monitoramento contínuo. Usar inteligência de dados para mapear beneficiários finais e listas de restrições é o que separa uma marca de sucesso de um alvo de investigação policial. No mercado atual, a confiança é o ativo mais caro, e ela só se sustenta com transparência de dados”, conclui Vollbrecht.
 
Sobre a VAAS
Fundada em Florianópolis e com presença em São Paulo, a VAAS é uma empresa de tecnologia especializada em gestão de risco inteligente. Sua plataforma conecta mais de 40 fontes de dados e utiliza IA preditiva para automatizar processos de KYC, prevenção à lavagem de dinheiro e falhas regulatórias. Com mais de R$ 50 milhões em contratos ativos, a startup lidera a transição para um compliance digital, autônomo e integrado à estratégia de negócios. Mais informações estão disponíveis no site www.vaas.com.br.

Disponível originalmente no Revista Kdea360. Publicado na CompliancePME em 23 de março de 2026